Para concluir esta série de posts, deixo uma reflexão sobre o futuro do futebol do Benfica.
Neste momento vive-se um estado de graça no futebol. Temos um treinador que já é consensual, temos uma equipa, temos jovens talentos vindos da formação, temos boas perspetivas de estar presentes nas fases relevantes da Liga dos Campeões na próxima época.
O que vamos fazer sobre o legítimo sonho adiado dos benfiquistas?
Vamos ter a coragem e a ousadia de apostar verdadeiramente na conquista da Liga dos Campeões da UEFA?
Ou vamos enveredar pela venda frenética de tudo o que mexe para fazer uns trocos e uns favores aos amigalhaços do costume?
Já vimos que o incremento nos rendimentos resultante do novo esquema de distribuição das receitas da UEFA proporciona uma interessante margem para investirmos no reforço qualitativo do plantel. Se a isto aliarmos uma maior eficiência operacional, isto é, uma redução substancial dos arrepiantes desperdícios em remunerações e em serviços obtidos que em nada contribuem para o principal objetivo, então já podemos pensar em algo mais ambicioso.
Adicionalmente, se reduzirmos o número de atletas sob contrato e tentarmos realizar alguma liquidez com a alienação de ativos (passes de atletas e outros) que não são estratégicos para o referido objetivo, maior ainda será a nossa margem de crescimento competitivo… e sabemos que é disto mesmo que precisamos. Ou seja, de um salto desta natureza que nos permita entrar no ciclo virtuoso de que se alimentam os clubes da elite do futebol mundial: sucesso desportivo – aumento de receitas – reforço da capacidade competitiva (contratação e retenção de talentos) – mais sucesso desportivo.
E não venham com a falácia de que precisamos vender atletas do plantel principal para haver espaço para a entrada de jovens da formação! A rotação decorrente do envelhecimento dos atletas mais antigos do plantel abrirá, naturalmente, espaço para novos talentos da formação… e para verdadeiros talentos haverá sempre espaço num plantel ambicioso e orientado por profissionais competentes.
Estamos neste momento numa encruzilhada e o caminho que for escolhido irá determinar o futuro do Benfica. Só temos uma oportunidade para escolher bem. Depois não há margem para emendar decisões erradas e perdemos definitivamente o comboio dos grandes do futebol mundial.
Se escolhermos agora o caminho errado, teremos de nos contentar com os empolgantes confrontos com os Tondelas desta vida, com inolvidáveis tardes/noites das casas do Benfica e com a mediocridade daqueles que não têm espaço nos clubes que competem regularmente nas fases decisivas da Liga dos Campeões.
Se queremos abraçar um projeto apaixonante e ambicioso capaz de tornar o Benfica no MAIOR E MELHOR CLUBE DO MUNDO, temos de ser capazes de escolher agora o caminho certo.
E esse caminho não é o da venda desenfreada dos atletas mais promissores e com maior qualidade do plantel.
Não é o caminho da aposta no campeonato do betão em detrimento do reforço da capacidade competitiva do plantel.
Não é o caminho das parcerias estratégicas com os amigalhaços do costume que se banqueteiam à custa da marca Benfica.
Não é o caminho dos desperdícios arrepiantes em serviços que ninguém compreende ou em remunerações que não premeiam o mérito.
Não é, em última instância, o caminho de uma gestão reativa, amadora, que assenta no chico-espertismo e no narcisismo desmesurado.
É o caminho por onde verdadeiros benfiquistas, que sejam competentes, que honrem os valores do clube e que consigam aliar a estes requisitos a paixão que nós adeptos sentimos, nos podem conduzir.
É o caminho da aposta sincera, corajosa e competente na concretização do maior sonho dos benfiquistas: a conquista da Liga dos Campeões da UEFA.
إرسال تعليق