As idiossincrasias de um benfiquista

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As idiossincrasias de um benfiquista

O ano passado foi duro. Para mim foi duro e desgastante. Sofri como nunca tinha sofrido com os jogos de futebol do Benfica. Nem no auge do domínio corrupto azul eu sofri tanto como na época passada. Os picos de ansiedade e stress foram tais que sentia palpitações e tinha medo de me dar qualquer coisinha má. “Que estupidez” pensava eu na altura. “É só um jogo!” e “Isto não pode ser!” eram frases que repetia dentro de mim constantemente. Mas felizmente, ou infelizmente, a paixão pelo clube e pelo futebol é irracional. Incontrolável. Nunca me apelidei de “doente da bola”, ou fanático do Benfica, mas tive que admitir que aquilo eram reações mais próprias dessa condição.
Assim, no início desta época, dei por mim a pensar e a analisar as razões para tão grande stress:
1. Seria dos ataques constantes do Sporting? Sim, fazia sentido que fosse isso. Mas depois recordei os anos da fruta e pensei: “Mas os de lá de cima passaram anos a fio a destilar ódio contra o Benfica e inclusivamente contra Lisboa, e eu não me senti assim…”. Não, não era só isto.
2. Seria da mudança do JJ para o Sporting? Não. Isso de certeza que não era motivo. Eu nunca fui um defensor acérrimo de JJ, e Rui Vitória sempre foi uma das minhas preferências. Escrevi-o aqui no NGB naquele maldito verão em que perdemos tudo e LFV segurou (e bem) o treinador. Gostei da passagem do “mestre da tática” pelo Glorioso, mas estava realmente na hora de sair.
3. Seriam questões pessoais? Talvez fosse isso. A sucessão de alguns problemas de saúde (felizmente nada de grave) tornou-me algo vulnerável a ansiedade e a stress. Sim. Definitivamente isto ajudou.
4. Seria eu que, no meu papel de pai, tentava suprimir o que antes de ter filhos deitava cá para fora com berros e agitação? Agora controlo-me ao máximo e filtro as minhas emoções, com relativo sucesso, para não deixar passar este stress para os putos e acabo por pagar a fatura. Sim. Também faz sentido.
Tudo isto eu considerei e acabei por concluir que não era isto. Ou pelo menos não era só isto.
Tudo o que escrevi foram fatores importantes, mas pensado bem o que é que mudou em relação aos anos anteriores? O Sporting. Poder-me-ão dizer que estou a atribuir demasiada importância aos nossos rivais, mas a questão é precisamente essa. Eles são os nossos rivais. Os outros ganharam como toda a gente sabe, e não lhes atribuo grandes créditos pelas suas conquistas. Mas o Sporting no ano passado, se excluirmos os ataques cerrados fora de campo e nos cingirmos apenas ao que se passa dentro de campo, foi um verdadeiro rival. No entanto, e voltando a incluir tudo o que se passou fora das 4 linhas, foi um rival que se portou mal. Arruaceiro, venenoso, rasteiro e reles.
Num ano em que ambos os clubes batem os seus recordes de pontos no campeonato, e em que tanta coisa mudou nos dois lados, o ressurgimento de um verdadeiro rival mexeu comigo. Mas criou um sentimento misto. A rivalidade dentro de campo com o nosso único verdadeiro rival, coisa positiva, esbarrou com a postura desprezível desse mesmo rival fora de campo. Acho que nunca verdadeiramente sofri como sofri no ano passado. Nem mesmo naquele Benfica-Sporting em que o Luisão voou para tirar a bola ao Ricardo e metê-la lá dentro. Eu assisti a tudo isso na Catedral. Vivi aquele ambiente de euforia naquele dia, mas nem aí a ansiedade atingiu os níveis que atingiu no ano passado. E essa é a prova que não foi apenas por ser “o” rival Sporting. O que me realmente afetou foi um Sporting… reles.
Dei por mim a irritar-me, a ter sentimentos que, cultivados pelo constante bate boca, não são os mais corretos. Aquilo estava a puxar pelo meu ódio. Não podia deixar que isso acontecesse. E vir aqui desabafar também não era solução, pois corria o risco de fazer o que os “comentadeiros” televisivos de todas as cores fazem: responder com ódio ao ódio que recebem. Vai daí, afastei-me. Afastei-me para me proteger. Sim, admito a minha fraqueza. Afastei-me das conversas com sportinguistas, deixei de brincar/picar amigos no Facebook, parei de escrever no NGB. Mas nunca consegui fazê-lo totalmente. O ritual de ver as capas dos desportivos logo pela manhã, e de acompanhar os posts do NGB e restante blogosfera não consegui apagar. É-me impossível afastar da realidade do Benfica. Das notícias, do dia-a-dia.
Li algures na net que: “Idiossincrasia é uma característica de comportamento peculiar de um indivíduo ou de determinado grupo. O termo tem vários sentidos, variando de acordo com o contexto em que é empregado, sendo também possível ser aplicado para símbolos que significam algo para uma pessoa em particular.
A idiossincrasia é responsável pela criação de estereótipos no caso dos grupos sociais. Por exemplo, dizer que todos os brasileiros gostam de futebol e samba, como uma característica particular do povo, é uma idiossincrasia dos brasileiros. No entanto, existem brasileiros que não gostam de futebol ou samba e não deixam de ser considerados brasileiros por isso.”
Será que tudo o que senti é só “meu”, ou haverá quem se identifique com este texto?

PS: Ficam aqui as minhas desculpas ao Shadows, que me convidou para aqui escrever há já alguns anos, por não ter cumprido com o que ele me pediu. Tive para lhe dizer em privado tudo isto que escrevi, mas preferi transformar isto em post para perceber quantos benfiquistas há como eu… :)

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