
A emoção de Nico Gaitan nos vários momentos que marcaram a sua saída do clube não passaram despercebidos a ninguém.
Mas esconderam muito mais do que os adeptos poderiam esperar. Gaitan escondia uma mágoa profunda por se ver obrigado a sair do Benfica e de Lisboa contra a sua vontade e da família.
Voltemos um pouco atrás. Mais propriamente a 23/10/2015.
Nico Gaitan recebia o Prémio Reconhecimento – Embaixada da Argentina 2015 pelo seu desempenho dentro e fora de campo ao serviço do Benfica.
Luis Filipe Vieira, presidente do Benfica, disse as seguintes palavras:
“É uma honra, como presidente do Benfica, estar presente nesta homenagem a Gaitan. É um verdadeiro fora de série. Ainda ontem nos deliciou com aquele enorme golo que marcou. É uma honra vestir a nossa camisola. De certeza que a vai vestir por muitos mais anos”, disse Vieira numa altura que se falava na renovação contratual do jogador.
Pois, como tantas outras promessas ou certezas de Vieira no passado, também esta não passou de uma mentira. Como a promessa de que o Benfica não precisaria de vender mais jogadores.
Nico Gaitan não queria sair do Benfica, mesmo abdicando de um melhor vencimento proposto pelo Atlético de Madrid.
O amor à camisola, o orgulho em vestir o equipamento do Glorioso é algo que pouco interessa ao presidente do Benfica, mais interessado nos negócios com os seus parceiros.
Se Gaitan fosse como Luisão, que com uma máscara de “amor” ao clube afinal reclamava aumentos anuais para não ir embora, provavelmente teria tido a oportunidade de ficar. Culambistas e mercenários são o tipo de gente apreciada neste Benfica camaleão.
Mas um jogador, com a qualidade de Gaitan, que implorou para ficar não serve.
Mas podemos falar também em Renato Sanches. O “puto” também não queria ir embora. E este europeu está a comprovar que a venda apressada antes do torneio foi tudo menos um muito bom negócio.
Outro jogador que está entre a espada e a parede é Talisca.
À boa maneira do FC Porto, o jogador brasileiro terá sido ameaçado de ser colocado na equipa B se não aceitar ir para a China. Métodos importados de Contumil pelo aprendiz que estava no círculo de confiança.
Não acho que Talisca tenha qualidade para estar no Benfica, mas daí a obrigar o jogador a ir para um sítio tão diferente sob ameaças de despromoção não é “à Benfica”.
Aliás, o clube que mantém nos quadros um jogador a ganhar 2.3M€/ano para não jogar não tem legitimidade para mandar qualquer outro embora. O empresário milagreiro que conseguiu vender miúdos desconhecidos por 15M€ não consegue colocar em lado nenhum Talisca? Ou será que consegue mas só na China onde estão os seus novos sócios?
É o Benfica de hoje. Com “supostas” receitas como nunca mas continuando a alimentar a máquina implacável das comissões enquanto o clube vai continuando com um passivo de quase 430M€.
É o Benfica camaleão que expulsa do seu seio quem não vive com os euros no coração.
Post a Comment