Já se esperava que esta temporada ainda fosse pior, no que diz respeito à “guerrilha” entre departamentos de comunicação de Benfica e Sporting, com o FC Porto a querer também colocar-se ao barulho com o seu pasquim de meia tijela, o “Cerqueira Diário”.
Os dirigentes dos clubes, na ânsia de protegerem a sua imagem, contrataram “directores” de comunicação ou “gestores” de imagem para dizerem e fazerem aquilo que não lhes dá jeito dizerem ou fazerem directamente.
Por isso, em vez de directores desportivos, managers ou gente que entenda de bola, os presidentes escolhem personagens que conheçam jornalistas e que sejam bons a produzir “sound-bytes” e que ficam responsáveis por contratarem “soldados rasos” para a batalha nas trincheiras.
As estruturas de Benfica e Sporting estão hoje carregadas de “operacionais” da internet cuja função é passarem o dia a comentar nos jornais, blogues ou outras páginas de internet. E para esta gente fazer isto é “defender o clube”.
Gente essencialmente do mundo da política, versada no lixo comunicacional e em varrer para debaixo do tapete o seu próprio lixo antes que os outros o vejam.
Basta um pequeno exercício de memória para cruzar estes nomes com os partidos políticos e os seus séquitos comunicacionais.
Se viram imagens dos congressos partidários dos últimos meses, estavam lá praticamente todos. Num plano mais discreto os mais experientes, num plano propositadamente vistoso os recém-chegados ao mundo do futebol ou do comentário desportivos, as chamadas estrelas em ascensão.
Gente responsável por varrer para debaixo do tapete os podres dos partidos políticos como os buracos da gestão pública, os défices crónicos, as PPP’s, as facturas duvidosas como no caso do “Jacinto Leite Capelo Rego”, os submarinos, os ataques e tentativa de manipulação da justiça para impedir a investigação de políticos, etc, etc. Tudo isso foi importado para o futebol de forma ostensiva por estes personagens.
Também na tv se destaca essa organização “comunicacional” dos clubes. Uns mais discretos mas com discurso alinhado, outros com um “ponto” em tempo real através dos tablets ou smartphones. Basta estar atento aos programas de domingo ou segunda à noite.
Todos preocupados não em defender o clube mas o personagem que os contratou.
Por isso é que me repugna quem no Benfica resolve seguir pelo mesmo caminho que tanto critica nos outros.
O maior exemplo vem de quem está no Benfica e que hoje toma a dianteira em fazer uma campanha permanente sobre o treinador do Sporting, Jorge Jesus.
Lembro que quando JJ treinava o Benfica, todos os defeitos que o treinador do Sporting tem hoje já os apresentava na altura.
Quantas vezes escrevi no NGB sobre as fracas características de JJ como líder?
Sobre a sua recusa em apostar nos jovens da nossa formação?
Sobre a sua postura com os adversários?
Sobre o seu modo de agir com os jogadores e até a sua equipa técnica?
Sobre a sua postura miserável com a estrutura do clube, exceptuando Vieira?
Sobre o seu ego insuportável?
Não bateram palminhas quando JJ enxovalhou em directo Shéu e Rui Costa?
Não bateram palminhas quando André Gomes, Cancelo ou Bernardo Silva foram corridos do clube porque “tinham de nascer” não sei quantas vezes?
Não bateram palminhas quando JJ vinha com o discurso do melhor futebol e dos “merecimentos” desprezando a história gloriosa do Sport Lisboa e Benfica?
Não bateram palminhas quando JJ apresentava os “troféus Rui Santos” das idas às finais?
Não bateram palminhas quando JJ elogiava Pinto da Costa e até o abraçava em público?
E a lista podia continuar.
Para mim, Jorge Jesus “morreu” a partir do momento que saiu do Benfica. Foi um alívio. Era um zé-ninguém antes do Benfica e só passou a ser alguém com todas as condições que usufruiu no Benfica e que só o nosso clube lhe poderia fornecer.
Não fui daqueles que o considerava “o maior do mundo” e agora acha que ele “não presta para nada”. A minha opinião sobre JJ sempre foi a mesma e não vejo razões para a mudar.
Quem é que afinal tem interesse em continuar a falar em JJ? Quem é que tem interesse em que se fale de JJ? Não é afinal quem não soube justificar o porquê de não renovar o contrato ao ex-treinador do Benfica?
Será que todos têm amnésia e não se lembram da enorme insatisfação que se apoderou de muitos benfiquistas quando saiu a notícia da ida para o Sporting?
Porque razão até esse dia JJ era tão “perfeito” (até foi cara do clube na apresentação do patrocínio da “Emirates”) e no dia seguinte já era um vilão, um malandro?
A quem interessa que se fale dos outros e não do dia-a-dia do nosso clube?
Fazer o mesmo que os outros não é ser melhor que eles. É ser igual ou pior.
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