Exclusivo: A paixão do gestor adepto e a assepsia do gestor profissional

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Exclusivo: A paixão do gestor adepto e a assepsia do gestor profissional


A teoria da agência é uma área específica da teoria económica que explica as relações que se estabelecem entre duas partes envolvidas numa relação de agência (relação de agência: quando uma parte – o agente – atua por conta de outra parte – o principal –). 

Com a complexidade e dimensão das operações das grandes organizações e com a necessidade de especialização, torna-se virtualmente impossível que os respetivos proprietários desempenhem as funções de gestão de forma eficaz. Surge assim a necessidade de contratarem gestores profissionais. Esta premissa é igualmente verdadeira no contexto das instituições desportivas e, consequentemente, dos clubes de futebol. É, pois, impensável que um clube com a dimensão mundial do Benfica e com a complexidade de operações daí resultante não tenha uma gestão profissional. 

Mas a especialização da gestão é apenas uma face da moeda. A outra face é o que a teoria da agência designa de custos de agência. Os custos de agência resultam do facto de os objetivos dos gestores nem sempre estarem perfeitamente alinhados com os objetivos dos proprietários das organizações. Estes custos de agência afetam o principal objetivo de uma empresa – criação de valor/riqueza para os seus proprietários. 

Transpondo para a realidade de um clube de futebol, podemos encontrar esta relação de agência entre os gestores profissionais do clube (agentes) e os seus sócios e adeptos (principais). Existem conflitos e custos de agência quando tais gestores profissionais, no âmbito das suas funções no clube, tomam decisões que são contrárias aos interesses dos sócios e adeptos do clube. Também neste contexto, os custos de agência afetam o principal objetivo da organização, o qual, neste caso, é o sucesso desportivo. 

Constata-se que, no contexto empresarial, o valor de uma mesma empresa num mundo ideal sem conflitos de agência seria sempre superior ao seu valor no mundo real onde tais conflitos estão presentes. Então, por analogia e de acordo com a tese que o presente texto introduz, no contexto de um clube de futebol, o desempenho desportivo de um clube num mundo ideal sem conflitos de agência seria sempre superior ao seu desempenho desportivo no mundo real onde tais conflitos estão presentes. 

Esta questão da teoria da agência vem a propósito de algo que se tem vindo a observar nos últimos anos no Benfica e que, mais recentemente, sem tem vindo a acentuar: a profissionalização das estruturas de gestão do clube (e da SAD) com recurso a gestores que, comprovadamente e, quiçá, assumidamente são adeptos de clubes rivais do Benfica.

Um exemplo paradigmático desta tendência é o que se está a verificar ao nível da direção do centro de estágios do Seixal. E refiro este exemplo por se tratar precisamente da joia da coroa do Benfica, tal como se depreende das mensagens da atual direção do clube e da SAD. 

Sem pôr em causa a competência técnica e a honestidade das pessoas visadas, mas apenas recorrendo ao enquadramento teórico atrás explanado e à natureza humana que a todos nos carateriza, pergunto se não será demasiadamente arriscado este caminho que a atual direção do Benfica pretende trilhar: entregar cargos de direção-chave a adeptos de clubes rivais que privilegiam um estilo assético de gestão, desprovido de paixão e perigosamente exposto a critérios de decisão que poderão ser contrários aos legítimos interesses dos Benfiquistas. 

O Seixal é o centro nevrálgico do futebol do Benfica. É onde se desenvolve o core business do clube.

Será sensato expor esta área crítica a problemas de agência que podem ter consequências muito graves no principal objetivo do clube (pelos menos para os Benfiquistas) que é o sucesso desportivo?

Será sensato colocar o processo de desenvolvimento dos principais ativos da SAD sob direção direta de gestores profissionais que não sentem o clube da mesma forma que os Benfiquistas sentem (sendo os Benfiquistas aqueles em nome dos tais gestores atuam)? 

Por outro lado, não seria possível contratar outros gestores tão ou mais competentes, que sejam Benfiquistas, reduzindo, desta forma, os custos de agência atrás referidos e potenciando ainda mais o sucesso desportivo do Benfica? Nada nos leva a crer que os adeptos dos clubes rivais são mais inteligentes ou, de outra forma, mais capacitados que os Benfiquistas. 

Assim, a teoria das probabilidades diz-nos que não seria difícil recorrer à paixão de gestores Benfiquistas em detrimento da assepsia dos gestores ditos profissionais e, dessa forma, dar mais um passo importante com vista à consecução daquele que deverá ser o principal objetivo do Benfica: SER O MAIOR E O MELHOR CLUBE DO MUNDO.

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