Exclusivo: O paradoxo do desinvestimento no futebol

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Exclusivo: O paradoxo do desinvestimento no futebol


Ter ganho uns títulos nacionais e ter tido umas presenças “honrosas” esporádicas na Liga dos Campeões da UEFA nos últimos anos não é mau. Mau é saber que podíamos ter feito muito mais e não fizemos. 

Paradoxalmente, a atual liderança do Benfica e da SAD adotou uma estratégia de desinvestimento no plantel principal da equipa de futebol no seguimento da conquista dos títulos nacionais. Uma estratégia adotada alegadamente em nome da sustentabilidade financeira do clube e que tem vindo a arrastar o seu futebol profissional para um cenário de downsizing com contornos ameaçadoramente irreversíveis. 

Mais preocupante ainda é a mensagem repetidamente transmitida aos benfiquistas de que é possível conjugar este downsizing com o sucesso desportivo. 

Ou a atual liderança envereda descaradamente pela demagogia barata, ou então é a mais vil apologia da mediocridade. Pior ainda. É a concretização de um downsizing de mentalidade, de cultura de vitória e de exigência. 

No dia em que os benfiquistas se acomodarem a estes padrões de exigência, perdeu-se um dos principais pilares do ideal que é o Benfica, traduzido no que simboliza a águia: ambição, autoridade e orgulho. Nesse dia o Benfica deixará de ser o Benfica do Cosme Damião, do Félix Bermudes, do Álvaro Gaspar, do Eusébio e de todos aqueles que tiveram e têm o privilégio de sentir esta chama imensa. Passará a ser o Benfica dos interesses egoístas ocultos e ocultados que não se coadunam com a elevação da nossa divisa: E PLURIBUS UNUM. 

Estamos a uma semana do início de um dos ciclos mais decisivos da grandiosa história do Benfica e o plantel principal da equipa de futebol está muito longe do que se pretendia para fazer face às exigências desse ciclo. Talvez este plantel seja adequado num contexto de downsizing competitivo do futebol profissional. Não é de todo adequado para dar resposta às legítimas aspirações dos benfiquistas de verem o clube reassumir o seu lugar entre os colossos do futebol mundial. E foi precisamente o compromisso de lutar por concretizar essas aspirações e sonhos que a liderança do clube assumiu quando tomou posse nas suas funções. É para servir os interesses do Benfica e dos benfiquistas que esta liderança foi eleita. 

Neste contexto, é incompreensível e inaceitável fragilizar ainda mais a capacidade competitiva do plantel com a alienação do passe de atletas-chave e ainda com grande margem de progressão. 

Se há necessidade de gerar receitas com a alienação de passes de atletas e se há mercado para vários atletas do Benfica que não integram o atual plantel, porque motivo não são os respetivos passes alienados? 

Manter estes atletas nos quadros e alienar passes de atletas determinantes para a competitividade da equipa parece ser um contrassenso. 

Ou não há de todo mercado para os referidos atletas (nos quais foram investidos vários milhões de euros), ou a política de gestão do plantel parece estar orientada para outros propósitos que não o reforço da capacidade competitiva do mesmo. Uma nota adicional para dizer que é impensável que o Benfica perca “joias da coroa” para clubes que estão muito longe de integrar a elite do futebol mundial. Tanto mais que parece haver recursos para pagar salários semelhantes aos que tais atletas irão auferir nos novos clubes. 

É igualmente incompreensível o esbanjamento de dezenas de milhões de euros em contratações de atletas com poucas ou nenhumas possibilidades de entrar nas principais opções técnicas do plantel, quando esses recursos poderiam ser canalizados para a contratação cirúrgica de atletas com condições para reforçar verdadeiramente a equipa. 

É ainda imperdoável a falta de ousadia espelhada na tomada de decisões de forma assética e a gritante falta de grandeza de alma de todo incompatível com o exercício de funções de liderança num clube como o Benfica. Quem não ousa procurar a sorte, jamais a poderá encontrar. 

Termino com um desejo sincero de que o Benfica entre com o pé direito neste ciclo decisivo de jogos. 

Apesar de todas as preocupações manifestadas com o atual rumo que o futebol está a seguir, acredito que é possível o Benfica ser bem-sucedido. É aquela confiança que surge quando a paixão acende a chama imensa. E sim, acredito que o Benfica ainda poderá ser O MAIOR E O MELHOR CLUBE DO MUNDO.

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