Ser benfiquista.

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Ser benfiquista.

Durante muitos anos houve uma diferença clara entre os adeptos de Benfica e Sporting e os adeptos do FC Porto.

Enquanto benfiquistas e sportinguistas mantinham a sua rivalidade bem acesa mas num registo mais elevado, os portistas tinham a postura habitual de azeiteiros malcriados, fazendo da gritaria e da falta de educação o seu modo de debater o futebol, até porque importava disfarçar a corrupção que o Apito Dourado revelou ao mundo(que andava distraído).

Claro que entre os vários grupos de adeptos sempre se encontraram alguns básicos merecedores das alcunhas de “lampiões” e de “lagartos”, e sabe-se que os sportinguistas sempre tiveram um sentimento “especial” pelo Benfica e pelos benfiquistas. Eu chamo-lhe rivalidade mas certamente outros preferirão usar o termo ódio. Quer de um lado quer de outro. Esses não fazem falta ao desporto.

Mas a década de 2000 trouxe outros tempos e outros modos aos adeptos do futebol português. Para pior.

Temos assistido a uma radicalização dos grupos de adeptos de Benfica e Sporting, à luz do que já eram os adeptos do FC Porto.

É comum encontrar agora entre benfiquistas e sportinguistas adeptos que preferem esmiuçar tudo o que há de mal no adversário mas fechar os olhos à sua própria casa, como se faz no FCP.

Preferem andar de dedo apontado ao rival mas são acometidos de uma grande amnésia quando se trata de verificarem o mesmo no seu próprio clube, como se faz no FCP.

Adeptos que de repente preferem imitar os azeiteiros portistas no que têm de pior: comportamento, métodos e linguagem.

A procura constante de um inimigo externo para mascarar as debilidades internas. A criação de cortinas de fumo para encobrir falhas graves de gestão.

E nisso, com muita pena minha, parte dos benfiquistas deixaram de poder dizer que são diferentes dos outros.São uma cópia do portismo mais repugnante, mas com a camisola do Benfica.

Gritaria, insultos, mentiras e linguagem degradante sem qualquer elevação ou respeito passaram a ser a expressão de uma espécie de benfiquismo digno de caixote do lixo.

Se os sportinguistas acham que esse é o caminho para a recuperação do Sporting como clube vencedor, é para o lado que durmo melhor. Será a vossa ruína.

Já os benfiquistas acharem que é assim que contribuímos para um futebol português mais forte e melhor é que já não posso concordar.

Eu cresci a ver uma massa associativa benfiquista exigente consigo própria e com o clube, desde jogadores até dirigentes. Eu vivi o tempo do “tribunal do terceiro anel”, que não acertava sempre, mas que era provido de um benfiquismo à prova de bala. Quem não tivesse fibra para aguentar a pressão é porque não era jogador para o Benfica.

Hoje vivemos um tempo em que se apela à “união”. União não em torno de um objectivo concreto mas “união” para evitar contestação.

Vivemos um tempo em que o clube é derrotado mas muitos acham normal bater palminhas e gritar “eu amo o Benfica” porque isso é que faz de nós benfiquistas! Isto porque jogadores e treinadores são muito sensíveis, tipo bebés, e se não forem acarinhados mesmo nas derrotas podem ficar tristes.

Há que ter respeito pelos profissionais, sem dúvida, mas o respeito maior tem que ser pelos milhares que pagam bilhetes caríssimos, que pagam Redpass, que fazem centenas de kms para ver um jogo de futebol. Quem respeita ou bate palmas a esses milhares de euros gastos a cada jogo do Benfica pelos adeptos?

Ser benfiquista não é imitar azeiteiros.

Não é bater palminhas só porque “temos de apoiar”. Apoiar é também demonstrar desagrado quando tal é necessário. É ser equilibrados mas sempre exigentes!

Não é imitar os Serrões ou os Dias Ferreira. Mas também não é ter um sentimento de superioridade face a ninguém quando no nosso clube os mesmos problemas são parte do dia a dia.

Por exemplo, leio muitos ficarem contentes com a decisão do caso Doyen, mas já se perguntaram quanto é que esses senhores subtraíram ao Benfica com contratos idênticos? Quantas dezenas de jogadores já passaram pelo Seixal só à custa de favores à Doyen ou à Meriton?

É assim tão bom cuspir para o ar e levar com a cuspidela na testa?

É preciso mais benfiquismo entre os benfiquistas e menos “culambismo” e “azeiteirismo”. Só assim o clube será mais forte e melhor.

Não serão certamente portistas encapotados ou benfiquistas de ocasião que virão definir ou explicar o que é ser benfiquista. Ainda esses andavam pelas Antas a festejar golos do FCP ou pelos corredores da SIC ou de outros orgãos de comunicação social já muitos de nós apanhavamos molhas enormes só para ver e apoiar o nosso clube.

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